
Flora te despreza

Paola bracho te despreza

Saraya Montenegro te desprezaJafar te despreza.

Flora te despreza

Paola bracho te despreza

Saraya Montenegro te desprezaJafar te despreza.

Madrasta te despreza

Nazaré te despreza

Maria Joaquina do Carrossel também te despreza.
Esta é uma análise de um quadro que fiz para a aula de história da arte. Coloquei aqui por que curti a brisa.

Maurício de Nassau
Retrato de dois planos
O personagem está apoiado com o braço direito sobre uma construção baixa, pouco mais alta que sua cintura, provavelmente um terraço, que dá a vista para um amplo jardim, brevemente detalhado com pinceladas menos minuciosas no plano anterior ao homem.
Com o corpo inclinado, a perna esquerda fica um pouco atrás da outra, jogando o quadril para o lado da primeira. A mão do braço que se apoia no muro segura um pedaço de pergaminho escrito, cujas letras não são facilmente identificáveis devido ao desgaste da pintura. Talvez quando a tinta estava nova, no séc. XVII, fora possível analisar com mais precisão estas pequenas letras da obra de um metro e meio de altura por 118,5 centímetros de largura. Era comum que elementos de pinturas barrocas segurassem objetos como pergaminhos ou frutas, os quais eram carregados simbolismos. Neste caso, o papel dobrado e escrito pode insinuar o título da nobreza do príncipe Johan Maurits van Nassau-Siegen.
A outra mão traja uma luva de tecido espesso, com franjas brancas na borda, o que remete à imagem do acessório utilizado por falcoeiros, homens que adestravam falcões e outras aves para caçar e levar mensagens para longas distâncias. Sendo de alto custo, esta prática designava nobreza e status principalmente na Idade Média e também na Moderna. A luva escura na mão esquerda da Johan Maurits protegeria a pele das garras da ave de rapina.
Na obra predominam nuances pardos, começando pelo poente do céu com nuvens plúmbeas, e uma fraca iluminação vista atrás da silhueta de uma edificação distante. As vestes do príncipe acompanham esta gradação, seu casaco longo e volumoso é preto e sobrepõe um traje rígido de couro marrom, com detalhes dourados. Ainda é possível ver o tecido fino bege que forra as vestes pesadas. Um cinto prateado dá suporte à espada, que só se deixa mostrar pelo cabo ornamentado, lustrado e dourado. Também duas estrelas fazem parte do figurino do homem, um pingente pendurado por uma corrente longa e um distintivo colado do lado esquerdo da malha aveludada do casaco. Uma observação mais atenta torna possível visualizar duas pequenas coroas áureas na grande estrela argêntea. A espada, o pergaminho e as estrelas são mais um símbolo de nobreza e imponência, assim como a faixa azul-clara, quase turquesa, que cruza o peito do personagem, contrastando com todo o resto da pintura mesclada em tons castanhos.
O príncipe é um homem maduro, já com poucos cabelos grisalhos, bigode e barba. Porém suas faces são coradas e seus lábios estão suavemente voltados para cima, esboçando um sorriso quase imperceptível, sua postura é viril e salutar. Seu nariz é pontudo e o olhar atento, observando o plano externo que não faz parte do quadro em si, mas se faz presente pela expressão facial de Johan Maurits.
Sobre o muro descansa uma cortina salmão, brilhosa de seda e neste mesmo canto está um elmo que finaliza a composição da armadura. A iluminação vem da frente do retrato, deixando a dúvida do local em que pousa o protagonista, que, a princípio se mostra como uma varanda com vista para o jardim, mas depois de alguns instantes de contemplação leva a crer que é um quadro com pinceladas corridas, onde se vê uma fonte com uma escultura ao centro e três figuras humanas interagindo defronte. Mais atrás, uma arquitetura alva, com colunas que terminam em elipse, em uma consonância arbórea, sob o céu densamente nublado. Outro fato que comprovaria a existência de um quadro dentro do quadro é que se a luz viesse de fora, só veríamos a silhueta escura do personagem. Pode-se dizer que o momento da pintura ocorre dentro de um ambiente fechado.
O quadro inspira tenebrismo, sendo predominantemente escuro na seleção da matiz, com momentos de sombra, apesar da nitidez e retratação fiel das dimensões e cores.